ISBN:
EAN: 978-989-20-2767-8
Editora: PROAP
Ano de edição: 2011
Tema: Paisagismo
Idioma: Português - English
Páginas: 252
Encadernação: Encadernado
Estado do livro: Novo
Peso: 1.9 Kg.
Formato: 24,5 x 31 cm
PVP livrarias: € 47
Valor inicial a leilão: € 41
Última licitação: € 41.00
Próxima licitação: € 41.30
Nº de licitações: 1 licitações
CONCURSOS PERDIDOS
Um dos exercícios mais curiosos na realização de um livro deste género é o facto de, num período temporal bastante comprimido, se conseguir reunir e comparar uma quantidade considerável de informação. É também um esforço de síntese e de clarificação, necessário até para conseguirmos explicar, de forma o mais simples e directa possível, o nosso raciocínio, as nossas soluções, as nossas propostas. Pensámos muito sobre a forma de apresentar estes estudos. Não por serem perdidos, mas por aquilo que representam. Seria mais conveniente mostrá-los por ordem cronológica? Por organização de escalas de actuação? Por ordem de importância?
Embora cada proposta responda a um programa de concurso específico e, nesse sentido, se apresente como solução única e irrepetível, a nossa prática tem demonstrado a existência de determinados grupos temáticos, subjacentes a diferentes soluções. Estes temas não se assumem como imposições de determinadas formas de actuação previamente estabelecidas, mas antes enquanto suportes de actuação, sensíveis às reais necessidades detectadas em cada situação e muito flexíveis aos diferentes contextos com que nos vamos deparando.
O grupo temático que nos surge com mais força é constituído por temas de carácter mais teórico e que temos vindo a desenvolver em mais de vinte anos de prática – Paisagem: múltiplas definições. Um grupo que inclui temas como o entendimento do papel e importância da paisagem, os conceitos de espaço e de tempo, a leitura de marcas e sinais, o binómio artifício/natureza, a noção de limite ou a concepção de beleza. Argumentos subjacentes à arquitectura paisagista e, nesse sentido, muitas vezes definidores do carácter e da expressão das nossas soluções projectuais.
O segundo grande grupo temático relaciona-se com a interpretação de que a paisagem se afirma sempre como um suporte para a consolidação da vida no território – A paisagem como suporte. Nesta acepção, a paisagem comporta-se, por um lado enquanto uma macro-infra-estrutura, capaz de assistir o Homem nos contínuos processos de transformação que asseguraram a sua sobrevivência e, por outro lado, enquanto forma de compatibilização da existência humana com todas as outras formas de vida com quem o Homem, necessariamente, partilha o espaço e o tempo. Falamos, neste caso, do estudo de temas como o papel da infra-estrutura na contemporaneidade, a definição de conceitos como urbanidade, cidade e espaço público. Um grupo temático que se prende com uma consciência profunda do papel da arquitectura paisagista na reconversão e actualização de áreas actualmente obsoletas, na reabilitação de paisagens degradadas e na atribuição de novos usos.
Um terceiro grupo de temas, mais circunstancial do que estruturante, procura resolver problemas decorrentes da ocupação humana preponderante e, por vezes, abusiva em áreas litorais – Paisagem e Litoral. A nossa estreita relação, pessoal e profissional, com o Mediterrâneo e com o Atlântico e as suas áreas litorais, tem-nos conduzido a experiências muito distintas de ocupações humanas, permanentes e temporárias, capazes de estabelecer relações totalmente diferentes com a água, a praia e os ecossistemas litorais. Reflexões que nos alertaram para um denominador comum transversal às comunidades mediterrânicas e que, de diferentes formas, poderão ser aplicáveis noutros locais onde a preponderância do litoral na determinação das ocupações humanas seja determinante. Dentro deste grupo temático cabem assuntos como a consciência da fragilidade dos litorais, a definição do conceito de frente litoral ou o papel da arquitectura paisagista na compatibilização de usos antrópicos com os ecossistemas autóctones.
O quarto e último grupo temático ficou definido por uma das figuras de trabalho mais significativas em arquitectura paisagista – Fazer um Parque. Um parque é um pedaço de território de uso público consagrado às pessoas e às suas vidas, destinado a apropriações colectivas lúdicas, de passeio, de convívio, de experimentação. É também um testemunho da história das pessoas que o criam, que o mantêm, que o validam e a tentativa da sua conciliação com os factores naturais daquela paisagem. Um parque é um artifício que procura exacerbar os metabolismos inerentes a essas qualidades naturais, numa estreita relação entre sustentabilidade e adequação de usos. Este tema, mais operativo, aponta como argumentos de trabalho as noções de vazio urbano, valor do solo, agricultura ou capacidade de carga.
Os vinte concursos que aqui apresentamos exploram estes grupos de temas de uma forma interligada, uma expressão holística característica da nossa atitude relativamente à paisagem. Nunca procurámos soluções estanques e presas apenas a um conceito, mas antes propostas dinâmicas que demonstram uma vontade nítida de vibração conceptual, de exploração temática e de experimentação das diferentes naturezas dos lugares.
Esta recolha de concursos perdidos, frequentemente classificadas entre os premiados, é, sobretudo, uma homenagem à cultura dos concursos em arquitectura paisagista e arquitectura. Uma demonstração de que um concurso é um compromisso entre uma comunidade e a equipa projectista, ligando ambos num clima de grande cumplicidade, essencial para o desenvolvimento saudável de todo o processo.
Vinte concursos que demonstram o percurso da nossa equipa ao longo da última década e que nos deram inúmeras oportunidades de trabalhar, muitas vezes repetidamente, com outras equipas, outros métodos, outras abordagens. Um percurso sempre em transformação, sempre inacabado. Uma aprendizagem contínua suportada por concursos ganhos e outros perdidos.
texto de Tiago Torres Campos
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LOST COMPETITIONS
One of the more curious exercises in the making of a book of this kind, is the fact that, in a fairly compressed time frame, you can gather and compare a considerable amount of information. It is also a synthesizing and clarification effort, necessary for explaining, as simply and directly as possible, our reasoning, our solutions, our proposals. We have thought a great deal on how to present these studies. Not because they lost, but because of what they represent. Would it be more convincing to present them in chronological order? Organize them by the scale of the action? By order of importance?
Even though each proposal responds to a specific competition program, and in this sense, represents a unique and unrepeatable solution, our practice has demonstrated the existence of certain thematic groups, underlying the different solutions. These themes do not claim to be an imposition of certain, previously established ways of acting, but a support for the action, sensitive to the real needs detected in each situation, and highly flexible to the different contexts we come across.
The thematic group which arises more forcefully, is composed of themes of a more theoretical character which we have developed in over twenty years of practice – Landscape: multiple definitions. A group that includes themes like the understanding of the role and importance of landscape, the concepts of space and time, the reading of marks and signs, the artifice/nature binomial, the notion of limit or the idea of beauty. Arguments that underlie landscape architecture, and are therefore, frequently definitional in the character and expressions of our project solutions.
The second great thematic group relates to the interpretation of the landscape’s affir-mation as a support for the consolidation of life in the territory – Landscape as support. In this perspective, the landscape behaves, on one hand, as a macro-infrastructure, capable of assisting Man in the continuous transformation processes that ensure his survival, and, on the other, as way of making human existence compatible with every other life-form with which Man necessarily shares time and space. In this case we are talking about the study of such themes as the role of infrastructure in contemporaneity, the definition of concepts like urban, city and public space. A thematic group that is bound up with a profound awareness of the role of landscape architecture in the reconversion and updating of currently obsolete areas, the rehabilitation of degraded areas, and the attribution of new uses.
A third group of themes, more circumstantial than structuring, seeks to answer problems arising from the often preponderant or abusive human occupation in coastal areas – Landscape and Coastline. Our close attachment, on a personal and professional level, to the Mediterranean and the Atlantic, and their coastal areas, has led us to very distinct experiences of permanent or temporary human occupation, capable of establishing completely different relationships with the water, the beaches and the coastal ecosystems. Reflections that have alerted us to the existence of a common denominator transversal to the Mediterranean communities, which, in different forms, could be applicable to other places where the influence of the coast on human occupation is preponderant. To this thematic group also belong themes like the perception of the coastline’s fragility, the definition of the concept of coastal front, or the role of landscape architecture in making human use compatible with autochthonous ecosystems.
The fourth and last theme group was defined by one of the most significant features of work in landscape architecture – Making a Park. A park is a piece of territory of public use, dedicated to the people and their lives, destined for collective recreational appropriations: for walking, socialising and experiment. It is also a witness of the history of those who create it, who maintain it, who validate it, and an attempt to reconcile it with the natural factors of that landscape. A park is an artifice that seeks to affect the metabolisms inherent to these natural qualities, in a close relationship between sustainability and adequacy of use. This, more operational theme, leads to working arguments like the notions of urban void, value of the soil, agriculture or load bearing capacity.
The twenty competitions we present here, explore these thematic groups in an interconnected fashion, a holistic approach, characteristic of our attitude to the landscape. We have never sought solutions that were airtight and attached to a single concept, but rather, dynamic proposals that demonstrate a clear desire for conceptual vibration, for thematic exploration and for experimentation with the different natures of the places.
This collection of competitions lost, but frequently included with the prize winners, is above all, a homage to the culture of competitions in landscape architecture and architecture. A demonstration that a competition is a commitment between a community and the project team, connecting the two in a climate of close partnership, essential for the healthy development of the whole process.
Twenty competitions that demonstrate the path of our team over the past decade, and which gave us innumerable opportunities to work, often more than once, with other teams, other methods and other approaches. A course in constant change, always unfinished. A continuous learning process upheld by competitions we have won and others we have lost.
text by Tiago Torres Campos
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